Adeus Ano Velho

Ahhh! Ano Novo venha. Ano Velho vá e leva consigo meu desejo incontrolável de comer chocolate. Não quero ser indelicada, mas leva na mala também a falta de tempo para meditar e a avareza de quem não sabe compartilhar. Na bagagem de mão, acrescenta a mágoa surgida a partir de relações que não terminaram tão bem assim. Numa valise bem reforçada, a inveja daquela vizinha mal amada. Eu sei, você já esta com as malas cheias, mas encontre um cantinho e não esqueça do orgulho que tanto atrapalha os casais que se amam e da ira que azeda os corações. A preguiça, essa bem poderia ficar, porque de tão preguiçosa ela ainda esta esperançosa de poder permanecer, só pra não ter o trabalho de se mexer. Mas, pensando bem é melhor desapegar, leva a preguiça também. Ano novo traga apenas o que puder carregar e em abundância traga a esperança! Que esta sim, venha para ficar!

 

Louca, eu?

No filme Garota, interrompida, Susana é diagnosticada como boderline, no fim da adolescência ela apresenta problemas típicos desta fase, entretanto, foi convencida
por seus pais a se internar em um hospital psiquiátrico, o que retrata a incompreensão da sociedade perante o diferente. Mas não podemos julgar os pais de Suzana, estes tão perdidos como tantos outros fizeram o que acreditava ser melhorpara a filha. Vamos voltar para a questão da diferença, o que é ser normal? As questões que afligiam Suzana não eram diferentes das questões de tantas outras garotas, então, será que são todas loucas?
Afinal, quem é normal neste contexto no qual não se suporta a infelicidade, a diferença, a alteridade? Aquele que grita e faz ouvir sua dor ou aquele que não se permite questionar a própria e aparente felicidade? Faço minhas as palavras de Nise da Silveira, felizmente eu nunca convivi com pessoas ajuizadas.

Vagas abertas para Mozão

Muito se fala sobre relacionamentos, mas poucos são os que se atrevem a se comprometer. Há quem culpe as histórias de princesas…será? Vamos
analisar, por exemplo “a Bela e a Fera” Bela, alias, rompe com a ideia de que princesasnão se interessam por cultura, tanto que é uma leitora voraz. A história aparentementetrata de dois seres opostos que se atraem, mas se analisarmos bem, ela trata de conteúdoscontraditórios que cada ser humano traz dentro si e chama a atenção para o fato de que devemos nos relacionar com a “feiura” dentro de nós. Quando fizermos isso vamos compreender que olhar para nossas imperfeições modifica nossa relação conoscoe consequentemente com os que estão a nossa volta. Porém, o que ocorre hoje é queno primeiro sinal de dificuldade se projeta no outro a própria sombra, responsabilizando-o pelo fato do relacionamento não ser perfeito como se esperava. Vamos voltar a falarde Bela e a Fera, no conto a Fera aprende a se relacionar com os próprios aspectos femininos, os quais negligenciava e Bela resolve o complexo do Édipo se abrindo para um relacionamentoamoroso, ambos com ajuda e compreensão do outro. Mesmo assim, uma colega me disse que proibiu sua filha de ler histórias de princesas, para que a mesma não sonhasse com um príncipe encantado, mas Bela não obteve o relacionamento esperado sem que houvesse inicialmente amadurecimento pessoal tanto dela quanto da Fera, ela mesma canta em um certo momento: “ele foi bom e delicado, mas era mal e era tão mal educado, comoele esta mudado” o que reflete também a mudança dela. Será mesmo que a culpaé das princesas? Ou seria de quem não consegue admitir suas próprias imperfeições? Alguma coisa acontece quando se olha pra dentro de si? 

Como fica o relacionamento nas redes sociais depois que o amor acaba?

Quem não esta na rede não é lembrado. Será que por isso meu amigo e a ex mulher dele resolveram discutir a separação pelas redes sociais? Creio que não só eu, mas todos estão cansados de ver os xingamentos diariamente. Na busca incansável por curtidas, ambos expõem os filhos e não se cansam de postar fotos em baladas com bebidas e boas companhias. E se alguém dá um like na foto de um dos dois, acaba sendo envolvido, cobrado ou excluído. Na busca insana por curtidas a saúde psíquica, a relação com os filhos e com os amigos fica pra depois. Afinal na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, no casamento ou no divórcio, a gente quer curtidas!

Adolescência: fase difícil?

No final do ano passado uma menina de 12 anos tirou a própria vida por estar infeliz com o seu corpo. Aos 12 anos as garotas deveriam ter esse tipo de preocupação? O que podemos aprender com essa situação? Estamos todos tão preocupados em nos manter jovens e sedutores, gastamos horas nos enfeitando para postar uma foto nas redes sociais, como se esta tivesse sido tirada ao acaso. Corpos esculturais ou nem tanto, exibidos diariamente na rede. E as crianças vão ficando pra mais tarde. Os adultos tão felizes em se manter jovens, esquecem que quando todos querem ser jovens, há um
descompasso, quem vai cobrar o dever da escola ou desligar o celular para conversar com a filha? Hum…é melhor perguntar quem vai postar uma foto nas redes sociais, com filtro é claro.
Afinal o que seria de nós sem a magia do filtro.

Sobre amar nos tempos do tinder

Ele passou um ano comentando sobre como desejava encontrar um amor, sentir-se arrebatado e tirar os pés do chão. Foi no tinder que ele a conheceu. Linda e engraçada, foi assim que ele a descreveu.Engataram um namoro, mas ela morava pra lá da zona oeste e não sabia dirigir, o namoro então começou a ruir, disposto a encontrar defeitos onde pudesse encontrar ele conseguiu. Por fim, voltou pro tinder, afinal ele quer amar, mas precisa ser alguém como definiu Cazuza, que “caiba no seu sonho”. Ora que contradição, pois, para poder tirar os pés do chão é preciso sair da zona de conforto. Quanto tempo vai levar pra história se repetir? Vamos acompanhar ouvindo Cazuza “Senhor piedade,lhes dê grandeza e um pouco de coragem”.

Com amor Van Gogh

Esta semana assisti Com amor Van Gogh um filme que impressiona pelo visual e também pelo fato de humanizar a história de Van Gogh. Chamado de louco por muitos, foi uma criança que enfrentou dificuldades e que devido ao apoio e ao amor do irmão tornou-se um grande artista. Através do filme podemos observar que Van Gogh retratou os personagens de seu cotidiano e de sua comunidade e os lugares que o impressionavam, demonstrando o quanto eram significativos para o mesmo. Imaginem o que poderia ter ocorrido se ele tivesse sido confinado? Eu luto por uma sociedade sem manicômios e você?