Entre os muros da escola e os desafios do professor

Professor, eu não aprendi nada”, esta é uma das últimas frases da aluna que interage com o professor no filme “Entre os muros da escola”, obra que retrata o cotidiano de uma escola situada na França. Inspirado no livro do professor François Bégaudeau, o filme aborda as dificuldades vivenciadas por professores e alunos no contexto escolar. Esta obra desmitifica a ideia de que somente no Brasil o cotidiano da escola é complexo e desafiador. Por outro lado, possibilita a identificação com a personagem de François que se depara com situações semelhantes as vivenciadas por qualquer professor. François é um professor que, como tantos outros, não tem respostas prontas para as situações com as quais se depara no exercício de sua profissão, porém, busca alternativas no relacionamento com seus alunos para auxilia-los no processo de desenvolvimento e aprendizagem. Entre acertos e erros podemos destacar a utilização de fotos em uma atividade com seus alunos, percebendo que muitos tinham dificuldades no domínio da língua francesa ele recorre a este recurso para facilitar a adesão a atividade proposta. Retomando a emblemática frase da aluna no final do filme, podemos refletir sobre: pra que serve a educação? Será que se destina a mera reprodução e imitação de conteúdos ensinados em sala de aula?  Se for este o caso, o valor disto será percebido somente no momento da avaliação. Como podemos observar no filme, François se mostra surpreso e contradiz a garota, possivelmente ele estava se referindo ao fato dela ter sido aprovada. Entretanto, quando o valor da educação é reduzido desta maneira, estes ensinamentos tem pouca utilidade para os alunos, daí a conclusão da menina. A aprendizagem é relacional e dialética, o processo não é universal e tanto professor quanto aluno saem modificados deste processo, vale ressaltar também que ambos estão se desenvolvendo e aprendendo, uma vez que este processo não para de ocorrer ao longo da vida. Neste cenário, entre professor e aluno, temos ainda uma parcela da sociedade que trata o professor como uma “persona non grata”, talvez esta parcela, tal qual a garota do filme, também não tenha aprendido nada, não tenha aprendido que a educação é uma janela para o mundo, um espaço no qual diferentes lentes coexistem para se interpretar a realidade e o mundo a sua volta. Porém, como dito anteriormente, ainda há tempo, uma vez que o desenvolvimento e a aprendizagem continuam a ocorrer ao longo da vida e que o ser humano encontra-se em constante movimento. Resta saber se assim como a garota do filme estas pessoas terão humildade para dialogar e ultrapassar os muros que construíram em torno de si.

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Ana

Sou psicóloga, professora universitária, mestra em psicologia clínica e questionadora de fatos e condições que limitam o ser humano. Neste espaço escrevo sobre relacionamentos, cinema, pais e filhos, atualidades, universo feminino e educação. O divã é seu, fique confortável para olhar para si e revelar-se.

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