Madame Bovary e o vazio existencial na atualidade

Madame Bovary romance escrito por Gustave Flaubert e publicado em 1857, retrata o vazio existencial de uma mulher que não se enquadrava no ríspido papel destinado a mulher de sua época. Sentindo-se profundamente desconfortável no papel de rainha do lar, ela negou-se a renunciar a si mesma para fazer o que a sociedade esperava dela. Insatisfeita com o casamento e a maternidade,  tornou-se consumidora de objetos luxuosos e decidiu ter romances que pudessem lhe proporcionar a tão sonhada felicidade que desejava. Porém, passado o fascínio inicial, estes relacionamentos caiam na mesmice, tal qual o seu casamento. Atualmente, a mulher não está mais restrita ao âmbito privado, ela pode decidir casar e ter filhos, ou não, bem como trabalhar, estudar, viajar, entre outros. Entretanto, cabe ressaltar que acompanhando essa liberdade de escolha, nota-se um discurso que tem por finalidade manter a mulher em ríspidos papéis que a limitam, o exagero no culto ao corpo e a obrigação de estar sempre bela servem a este discurso. Por outro lado, o tempo ocioso que levou Madame Bovary ao tédio e ao vazio existencial, cedeu espaço para a constante conectividade e interatividade, o que deixa pouco tempo para a reflexão e o contato com a própria subjetividade, dificultando o autoconhecimento necessário para decidir qual caminho se deseja trilhar. Madame Bovary era uma devoradora de livros, lia romances e fantasiava uma vida perfeita, houve quem dissesse que ela lia, mas lia errado e que a interpretação errônea do que lia proporcionou a mesma devaneios em relação a própria realidade. E você como tem utilizado as redes sociais?

 

O enigma de Kaspar Hauser e a questão da diferença

O enigma de Kaspar Hauser é um filme baseado em uma história real de uma criança que permaneceu em cativeiro até os 16 anos de idade e que posteriormente foi abandonada em um vilarejo, ele sabia pronunciar poucas palavras e não tinha nenhuma referência de família. Ao longo do filme, observa-se o processo de socialização e aprendizagem do mesmo, bem como situações constrangedoras as quais ele foi submetido por ser diferente. Dentre estas situações, vamos destacar duas, a primeira é uma festa na qual Kaspar é apresentado a um homem que deseja auxilia-lo caridosamente, nesta ocasião Kaspar afirma que era mais feliz quando estava no cativeiro, e a segunda é uma cena na qual Kaspar é submetido a um teste para verificar os avanços obtidos em sua escolarização. Nesta cena, um professor questiona Kaspar sobre um assunto em específico e diz ao mesmo que só existe uma saída para resolver a questão, entretanto, Kaspar apresenta uma outra possibilidade ao professor, que refuta a ideia, demonstrando pouca flexibilidade no trato com o aluno. Vamos analisar a primeira cena, Kaspar diz que era mais feliz no cativeiro e causa suspresa nas demais pessoas, este relato incomoda porque demonstra o quanto a sociedade estava despreparada para lidar com a diferença. Descobrir que foi aprisionado por 16 anos, já não é uma questão fácil, soma-se a isso o fato de ter sido tratado como um animal exótico exposto em apresentações. Na segunda cena, observa-se um professor que não leva em consideração as experiências do aluno e que não admite ser contrariado, a fim de impedir que suas velhas certezas sejam postas em dúvida. Kaspar nos aproxima e nos faz olhar para nossas próprias limitações, assim como ele, atualmente outros tantos, tidos como diferentes, o fazem e nos dão a possibilidade de nos reinventarmos e nos conhecermos melhor em contato com a diferença. Entretanto, ainda existem aqueles que preferem não ver que a pluralidade, a alteridade e a diferença são caminhos para que possamos nos aprimorar enquanto seres humanos. Para concluir essa reflexão vamos retomar o enigmático sonho de kaspar: ele relata ter sonhado com camelos e pessoas atravessando um deserto, em certo momento, algumas pessoas acham que o grupo se perdeu, entretanto, este grupo é guiado por um cego que diz aos demais que o grupo não esta perdido e que logo encontrarão a cidade na qual poderão viver, entretanto, Kaspar não sabe como essa história termina. O que você acha? Estaria Kaspar propondo que a sociedade necessita do intermédio de alguém diferente que possa guia-la e mostrar-lhe outras formas de se relacionar com os demais? Será que existe apenas um tipo de cativeiro? Não se pretende esgotar as possibilidades de reflexão sobre o filme, mas instigar o leitor a realizar suas próprias reflexões sobre o filme e a questão da diferença.

Adeus Ano Velho

Ahhh! Ano Novo venha. Ano Velho vá e leva consigo meu desejo incontrolável de comer chocolate. Não quero ser indelicada, mas leva na mala também a falta de tempo para meditar e a avareza de quem não sabe compartilhar. Na bagagem de mão, acrescenta a mágoa surgida a partir de relações que não terminaram tão bem assim. Numa valise bem reforçada, a inveja daquela vizinha mal amada. Eu sei, você já esta com as malas cheias, mas encontre um cantinho e não esqueça do orgulho que tanto atrapalha os casais que se amam e da ira que azeda os corações. A preguiça, essa bem poderia ficar, porque de tão preguiçosa ela ainda esta esperançosa de poder permanecer, só pra não ter o trabalho de se mexer. Mas, pensando bem é melhor desapegar, leva a preguiça também. Ano novo traga apenas o que puder carregar e em abundância traga a esperança! Que esta sim, venha para ficar!

 

Louca, eu?

No filme Garota, interrompida, Susana é diagnosticada como boderline, no fim da adolescência ela apresenta problemas típicos desta fase, entretanto, foi convencida
por seus pais a se internar em um hospital psiquiátrico, o que retrata a incompreensão da sociedade perante o diferente. Mas não podemos julgar os pais de Suzana, estes tão perdidos como tantos outros fizeram o que acreditava ser melhorpara a filha. Vamos voltar para a questão da diferença, o que é ser normal? As questões que afligiam Suzana não eram diferentes das questões de tantas outras garotas, então, será que são todas loucas?
Afinal, quem é normal neste contexto no qual não se suporta a infelicidade, a diferença, a alteridade? Aquele que grita e faz ouvir sua dor ou aquele que não se permite questionar a própria e aparente felicidade? Faço minhas as palavras de Nise da Silveira, felizmente eu nunca convivi com pessoas ajuizadas.

Vagas abertas para Mozão

Muito se fala sobre relacionamentos, mas poucos são os que se atrevem a se comprometer. Há quem culpe as histórias de princesas…será? Vamos
analisar, por exemplo “a Bela e a Fera” Bela, alias, rompe com a ideia de que princesasnão se interessam por cultura, tanto que é uma leitora voraz. A história aparentementetrata de dois seres opostos que se atraem, mas se analisarmos bem, ela trata de conteúdoscontraditórios que cada ser humano traz dentro si e chama a atenção para o fato de que devemos nos relacionar com a “feiura” dentro de nós. Quando fizermos isso vamos compreender que olhar para nossas imperfeições modifica nossa relação conoscoe consequentemente com os que estão a nossa volta. Porém, o que ocorre hoje é queno primeiro sinal de dificuldade se projeta no outro a própria sombra, responsabilizando-o pelo fato do relacionamento não ser perfeito como se esperava. Vamos voltar a falarde Bela e a Fera, no conto a Fera aprende a se relacionar com os próprios aspectos femininos, os quais negligenciava e Bela resolve o complexo do Édipo se abrindo para um relacionamentoamoroso, ambos com ajuda e compreensão do outro. Mesmo assim, uma colega me disse que proibiu sua filha de ler histórias de princesas, para que a mesma não sonhasse com um príncipe encantado, mas Bela não obteve o relacionamento esperado sem que houvesse inicialmente amadurecimento pessoal tanto dela quanto da Fera, ela mesma canta em um certo momento: “ele foi bom e delicado, mas era mal e era tão mal educado, comoele esta mudado” o que reflete também a mudança dela. Será mesmo que a culpaé das princesas? Ou seria de quem não consegue admitir suas próprias imperfeições? Alguma coisa acontece quando se olha pra dentro de si? 

Como fica o relacionamento nas redes sociais depois que o amor acaba?

Quem não esta na rede não é lembrado. Será que por isso meu amigo e a ex mulher dele resolveram discutir a separação pelas redes sociais? Creio que não só eu, mas todos estão cansados de ver os xingamentos diariamente. Na busca incansável por curtidas, ambos expõem os filhos e não se cansam de postar fotos em baladas com bebidas e boas companhias. E se alguém dá um like na foto de um dos dois, acaba sendo envolvido, cobrado ou excluído. Na busca insana por curtidas a saúde psíquica, a relação com os filhos e com os amigos fica pra depois. Afinal na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, no casamento ou no divórcio, a gente quer curtidas!

Adolescência: fase difícil?

No final do ano passado uma menina de 12 anos tirou a própria vida por estar infeliz com o seu corpo. Aos 12 anos as garotas deveriam ter esse tipo de preocupação? O que podemos aprender com essa situação? Estamos todos tão preocupados em nos manter jovens e sedutores, gastamos horas nos enfeitando para postar uma foto nas redes sociais, como se esta tivesse sido tirada ao acaso. Corpos esculturais ou nem tanto, exibidos diariamente na rede. E as crianças vão ficando pra mais tarde. Os adultos tão felizes em se manter jovens, esquecem que quando todos querem ser jovens, há um
descompasso, quem vai cobrar o dever da escola ou desligar o celular para conversar com a filha? Hum…é melhor perguntar quem vai postar uma foto nas redes sociais, com filtro é claro.
Afinal o que seria de nós sem a magia do filtro.