Arthur Bispo do Rosário e os beija-flores

Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), foi paciente psiquiátrico por vários anos, ele aguardava a chegada de Deus e escreveu o nome de pessoas queridas em algumas peças que produziu. Era seu desejo interceder por essas pessoas diante do criador. As obras que este artista produziu com objetos do cotidiano, aos quais tinha acesso na instituição onde esteve internado, ganharam notoriedade internacional e ofuscaram sua história. Em certa ocasião ele disse: “os doentes mentais são como beija-flores, nunca pousam, ficam a 2 metros do chão”. Ou seja, a realidade deles é diferente da realidade dos “ditos normais”. Mesmo tendo o seu direito de ir e vir restringido Arthur Bispo encontrou uma maneira de voar e compartilhar com o mundo a riqueza de sua vida interior, retratada nas obras que produziu. Infelizmente, quando confinados muitos não conseguem encontrar meios para voar tal como ele fez, afinal, beija-flores não foram feitos para serem aprisionados. Uma lenda maia conta que o beija-flor foi criado a partir de uma pedra de jade e que são portadores de mensagens do além, isto vai ao encontro do que pensava Bispo, que afirmava ouvir vozes que lhe diziam o que ele deveria fazer. Desta forma, ao refletir sobre o tratamento que deve ser destinado aos doentes mentais, é essencial lembrar da mensagem de Bispo, os doentes mentais são como beija-flores, restringir a liberdade dos mesmos, não está de acordo com a sua natureza e em nada ajudará a minimizar as dificuldades que vivenciam.  E então, vocês viram algum beija-flor por aí? Se viram, não tenham medo e não permitam que possam ser aprisionados, deixem que voem e espalhem mensagens especiais pelo mundo. #manicômiosnuncamais

Com amor Van Gogh

Esta semana assisti Com amor Van Gogh um filme que impressiona pelo visual e também pelo fato de humanizar a história de Van Gogh. Chamado de louco por muitos, foi uma criança que enfrentou dificuldades e que devido ao apoio e ao amor do irmão tornou-se um grande artista. Através do filme podemos observar que Van Gogh retratou os personagens de seu cotidiano e de sua comunidade e os lugares que o impressionavam, demonstrando o quanto eram significativos para o mesmo. Imaginem o que poderia ter ocorrido se ele tivesse sido confinado? Eu luto por uma sociedade sem manicômios e você?