Aplicativos de namoro e o cheiro do outro

Foi num sábado, em uma conversa bem humorada com as amigas que descobri o “Adote um cara”, aplicativo de encontros, curiosa e solteira novamente, resolvi me inscrever. Coloquei vários caras no carrinho, mas com o passar dos dias não parecia tão atraente. Entre corpos malhados e sorrisos encantadores e alguns nem tanto assim, faltava algo. A internet e as redes aproximam, mas a selfie ainda é pouco. Neste mundo pós-digital tornou-se fácil e rápido encontrar parceria para encontros e relações superficiais, porém, resta a dúvida sobre como sensualizar no aplicativo.

Cresci numa família privilegiada, na qual o cheiro tinha um valor, um significado. Em época de procissão minha vó providenciava ramos de plantas cheirosas para que as crianças levassem junto ao cortejo. O cheiro verde, a hortelã e o manjericão não faltavam na cozinha. E o cheiro depois do banho? Ou o cheiro como lembrança? Posso me lembrar das pessoas dizendo: Diz ao fulano que eu mandei um cheiro. O cheiro é essencial também no encontro com o outro, e podemos detacar ainda, o olhar, a forma como toca o cabelo. Como ver e sentir isso nas selfies? Tudo bem que em geral as pessoas se esforçam postando selfies dos mais diversos ângulos e formas, mas a dúvida permanece.  A sexualidade na era pós-digital é vivenciada de forma mais individualizada, não é a toa que algumas pesquisas tem demonstrado que os jovens estão transando menos. E se eles que são nativos digitais transam menos, como estão os demais que ainda estão se adaptando a essa realidade? Pensando neste assunto lembrei da Rita Lee: “sexo é aquilo. É coisa e tal. É tal e coisa…”  

Vagas abertas para Mozão

Muito se fala sobre relacionamentos, mas poucos são os que se atrevem a se comprometer. Há quem culpe as histórias de princesas…será? Vamos
analisar, por exemplo “a Bela e a Fera” Bela, alias, rompe com a ideia de que princesasnão se interessam por cultura, tanto que é uma leitora voraz. A história aparentementetrata de dois seres opostos que se atraem, mas se analisarmos bem, ela trata de conteúdoscontraditórios que cada ser humano traz dentro si e chama a atenção para o fato de que devemos nos relacionar com a “feiura” dentro de nós. Quando fizermos isso vamos compreender que olhar para nossas imperfeições modifica nossa relação conoscoe consequentemente com os que estão a nossa volta. Porém, o que ocorre hoje é queno primeiro sinal de dificuldade se projeta no outro a própria sombra, responsabilizando-o pelo fato do relacionamento não ser perfeito como se esperava. Vamos voltar a falarde Bela e a Fera, no conto a Fera aprende a se relacionar com os próprios aspectos femininos, os quais negligenciava e Bela resolve o complexo do Édipo se abrindo para um relacionamentoamoroso, ambos com ajuda e compreensão do outro. Mesmo assim, uma colega me disse que proibiu sua filha de ler histórias de princesas, para que a mesma não sonhasse com um príncipe encantado, mas Bela não obteve o relacionamento esperado sem que houvesse inicialmente amadurecimento pessoal tanto dela quanto da Fera, ela mesma canta em um certo momento: “ele foi bom e delicado, mas era mal e era tão mal educado, comoele esta mudado” o que reflete também a mudança dela. Será mesmo que a culpaé das princesas? Ou seria de quem não consegue admitir suas próprias imperfeições? Alguma coisa acontece quando se olha pra dentro de si? 

Como fica o relacionamento nas redes sociais depois que o amor acaba?

Quem não esta na rede não é lembrado. Será que por isso meu amigo e a ex mulher dele resolveram discutir a separação pelas redes sociais? Creio que não só eu, mas todos estão cansados de ver os xingamentos diariamente. Na busca incansável por curtidas, ambos expõem os filhos e não se cansam de postar fotos em baladas com bebidas e boas companhias. E se alguém dá um like na foto de um dos dois, acaba sendo envolvido, cobrado ou excluído. Na busca insana por curtidas a saúde psíquica, a relação com os filhos e com os amigos fica pra depois. Afinal na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, no casamento ou no divórcio, a gente quer curtidas!

Sobre amar nos tempos do tinder

Ele passou um ano comentando sobre como desejava encontrar um amor, sentir-se arrebatado e tirar os pés do chão. Foi no tinder que ele a conheceu. Linda e engraçada, foi assim que ele a descreveu.Engataram um namoro, mas ela morava pra lá da zona oeste e não sabia dirigir, o namoro então começou a ruir, disposto a encontrar defeitos onde pudesse encontrar ele conseguiu. Por fim, voltou pro tinder, afinal ele quer amar, mas precisa ser alguém como definiu Cazuza, que “caiba no seu sonho”. Ora que contradição, pois, para poder tirar os pés do chão é preciso sair da zona de conforto. Quanto tempo vai levar pra história se repetir? Vamos acompanhar ouvindo Cazuza “Senhor piedade,lhes dê grandeza e um pouco de coragem”.

Menos certezas, mais experiências!

Essa semana tive contato com a história de um casal que se conheceu pelas redes sociais, descobriram afinidades e iniciaram um relacionamento, mas não conseguiram ficar juntos muito tempo. O homem achava-se muito mais velho que a mulher e temia que ela o deixasse porque ele não poderia ter filhos. Ele terminou o relacionamento através de uma mensagem, (estranho?! Ou será uma característica de uma sociedade cada vez mais habituada a se relacionar pelo celular?), alegando não ter coragem de terminar pessoalmente. Ela ficou arrasada. Mas com o passar dos dias percebeu que deveria investir sua energia em sua própria vida. Ele por sua vez permaneceu cheio de certezas e poucas experiências. Alguém conhece uma história semelhante? Quantas vezes por medo deixamos de viver coisas boas? Quem garantia que ela o deixaria? E por outro lado como disse o poeta o amor, ah o amor…que seja eterno enquanto dure. Então permita-se.